RÁDIO COMPANHEIRA FM

Igarapé-Açu - Pará -

domingo, 28 de julho de 2013

O PAPA NO BRASIL

J. Filho
Impressionante! Poderia descrever o Papa Francisco com inúmeras palavras, mas esse termo designa bem a reciprocidade do Santo Padre e o povo que se fez presente na Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro.
O calor da Cidade Maravilhosa deu lugar ao frio e a chuva que interveio até na programação do evento, mas o Papa Francisco soube efervescer a acolhida com muita simplicidade a todos os devotos, peregrinos e fiéis que se encontravam nas diversas vias e locais por onde iria passar e falar para a multidão.
Muito salutar a JMJ ocorrer no Brasil logo após um período de ampla manifestação popular. O Papa Francisco deixou a população um pouco mais reflexiva. Com votos de esperança, amor, solidariedade, fé, desapego e caridade, o Santo Padre contagiou e cativou a todos os católicos e até pessoas de outro credo, o que mostra o seu carisma através acessibilidade e espontaneidade de um legítimo representante de Jesus Cristo.
Jovens de todo o mundo ficarão mais renovados na fé e consequentemente se tornarão pessoas mais flexíveis e contribuirão no meio o qual está inserido. A autoestima católica renovada e com mais forte para superar os problemas existentes dentro da Igreja. O mundo ficará mais atento a palavra do Papa, não porque ele é considerado um líder mundial e sim pela forma com que leva a mesma aos seus irmãos católicos e até não católicos.
O brasileiro deve tirar proveito da visita inesquecível do Papa, no sentido de refletir, analisar e compreender se seus atos em de acordo ou pelo menos se aproxima dos ensinamentos de Cristo. Difícil, mas não impossível o ser humano se dedicar a ser realmente mais humano, o que já implicaria no agrado Divino.
Que o cidadão brasileiro, inclusive o que lida no meio político, renove sua fé e demais sentimentos e qualidades citadas até aqui e coloque em prática esse riquíssimo aprendizado em prol de uma sociedade mais justa e igualitária.
Que o Santo Padre interceda junto ao nosso Senhor através de suas bênçãos. Que as crianças, os jovens e os adultos façam sua parte no presente para preservar o futuro. Papa Francisco, o Papa do povo, obrigado! A juventude merece esse momento, a humanidade agradece!


OS IMPACTOS DAS MANIFESTAÇÕES NO BRASIL

J. Filho
Passados alguns dias da maior manifestação popular ocorrida no Brasil no século corrente, percebe-se quão foram importantes para a democracia brasileira. Os atos ordeiros e pacíficos foram direcionados principalmente aos políticos e tinham caráter de cidadania, ou seja, o cidadão pleiteava melhor qualidade de vida no País.
Houve uma verdadeira convulsão social provocada por diversos segmentos sociais que causaram impacto significativo na postura verbal das autoridades. Em grandes, médias e pequenas cidades, o clamor popular era o mesmo, o desperdício de verbas públicas devido ao grande acontecimento do momento, no caso da Copa das Confederações. Esta absorveu quantidade absurda de recursos públicos na construção e reforma de estádios de futebol, enquanto que o povo sofria com aumento na passagem de ônibus, de pedágio, inúmero descaso com os serviços básicos, além da corrupção.
O Brasil é passivo da herança deixada pela sua colonização e por diversas fases de sua história que fixaram as desigualdades sociais. Os aspectos sociais são esmagados em detrimento aos econômicos. A injustiça social consome qualquer mecanismo que busque minimizar os anseios da população. Ou seja, quem detém o poder oprime a massa sofredora onde muitos sobrevivem com dificuldades e desprovidos de quaisquer recursos.
Diante do cenário favorável as manifestações, vários segmentos se mobilizaram em prol de resgatar o tempo perdido. Anos inerte, o povo mostrou que quando quer revolucionar de forma organizada consegue alcançar os objetivos. As autoridades, nas mais diversas esferas públicas, ficaram espantadas com tamanha grandeza das manifestações e, acima de tudo, da repercussão impressionante em outros países. Pois, a força maior emana do povo e é o povo que pode mudar qualquer cenário político através do voto. O político, em grande maioria sabe disso, mas enquanto não é cutucado, finge que governa de fato.
Nessa perspectiva, muitas medidas foram adotadas para tentar conter a população que protestava contra corrupção, desperdício de dinheiro público, desigualdade social, homofobia, investimentos sociais e redução de tarifas de ônibus, este o estopim das manifestações iniciadas com o Movimento Passe Livre (MPL) na cidade de São Paulo e depois espalhadas por todo o Brasil.
Ainda nesse contexto, foram revogados muitos aumentos de tarifas de ônibus, foi arquivada pela Câmara dos Deputados a PEC 37 que diminuía os poderes do Ministério Público além de outras medidas que os governantes recentemente implantaram para agradar a população.
Uma das marcas positivas dessas manifestações foi a solidariedade e a espontaneidade dos atos que em todas as regiões do Brasil teve aceitação que ajudarão a fortalecer e consolidar os protestos por inúmeros dias. No outro extremo, destacam-se os vândalos e baderneiros que, mascarados ou não, se aproveitaram do momento para saquear e causar pânico às pessoas, inclusive as autoridades, e também ao patrimônio público e privado. Esses vândalos se identificam como anarquistas e contrários ao capitalismo. O anarquismo não é uma ideologia recente, e que também não se restringe apenas a quebrar vidraças e fazer depredações.
A democracia pressupõe não só voto, mas também o protesto, a pressão popular, mas de forma ordeira e pacífica. A violência é consequência da efervescência do movimento, principalmente quando pessoas mal intencionadas se infiltram e, às vezes entram em confronto com a polícia, que tem a obrigação de defender o patrimônio público e privado, contudo se excessos.  A violência é a minoria, mas que pode fazer com que a sociedade não apoie o movimento. Apesar de este ser horizontal, deve-se ter conhecimento dos riscos que inviabilizem o sucesso do ato.
No lampejo das manifestações, é fato que a sociedade mudou e o político deve também mudar e se conectar mais com o povo. As manifestações futuras são interrogações, assim como os atos administrativos de muitos governantes. Era necessário dar uma chacoalhada no País e mostrar que a voz que vem da rua tem força, tem poder e, independente das avaliações, dos pontos favoráveis ou não, o povo deu sinal que está atento e pode fazer a revolução a qualquer momento, pois a autoestima ficou elevada.